Esses dias vi "O lado bom da vida". Confesso que no meio do filme, cheguei a pensar "esse filme não acaba nunca". Se tem algum movimento desmancha prazer, no sentido de falar o final de algum filme pra alguém que está sedento por ver, não recomendo a leitura do meu post, porque eu sempre acabo falando o "the end" sem que a pessoa me peça. É uma verborréia que não consigo conter. E, também confesso, dou risada por dentro quando faço isso. Sabe, aquelas risadas de criança terrorista? Igual.
Mas enfim. Sempre fui pessimista. Quem olha minhas fotos no Instagram, deve achar que sou uma pessoa positiva-feliz-em-todos-os-aspectos. Não. Eu tenho insônia, sou viciada em café, numa bela taça de vinho (isso é ser alcoolatra? já até pesquisei sobre isso, mas graçadeus, não me enquadro no perfil), em livros que compro e compro; e me frustram porque não tenho tempo pra ler todosdeumavezsó (sim, além disso tudo, a pessoa é ansiosa), e também sou viciada em ter tudo pra ontem. Morrerei eu, algum dia, de ataque cardíaco? Ah, sim, sou ansiosa e hipocondríaca. Só tolero a gripe, porque tomo vacina há quase dez anos. Mas o resto, o que tu me contar, eu volto pra casa achando que tenho- já com sintomas e procurando Dr. Google.
Mas esse post é sobre o filme. Só que antes, precisei contar essas minhas particularidades. O filme é melódico, dois problemáticos com final feliz- eu falei que iria acabar falando o final do filme. O que tem a ver esse filme, com os detalhes acima expostos? Então, fiquei pensando nos meus defeitos, já que o protagonista é bipolar, e a namoradinha, é problemática porque acabou de perder o marido atropelado.
Se eu não tivesse esses defeitos, eu não teria a vida- que, pasmen, eu amo. Se eu fosse uma pessoa que seguisse conselhos e seguisse dietas, eu seria uma infeliz. Não consigo entender gente, antes dos 60, que se encontra pra tomar chá? (Contando que não tenho nada contra, isso está na minha lista pra terceira idade). Não seria feliz se tivessem me criado em um ambiente sem leitura, se hoje, eu lendo vários livros de diversos tipos de assunto, me sinto uma imbecil - as vezes, imagina sem ler nada? Eu tenho insônia (sei que engorda e que a pessoa, posteriormente, pode vir a ser uma depressiva- mas segundo minhas aulas de medicina legal, pra cometer um suicidio, preciso de um gatilho. tô com 30, o gatilho já está atrasado), só que é ela que ajeita minha vida, ou seja, eu penso na minha vida na calada da noite enquanto uns contam carneirinho, outros transam, e alguns choram escutando "love songs". Sou ansiosa, mas se não fosse pela minha ansiedade, eu não ficaria 3 meses estudando pra uma prova da OAB sem colocar os pés fora de casa, chorando todo dia, e quase me matando por achar que não iria aguentar a pressão. Sou hipocondríaca, táh... isso estou trabalhando ainda...
Fora toda a história melódica do filme, acho que na vida, tudo tem seu lado bom. Por vezes, demoramos pra reconhecer isso. Vejo gente pagar terapia pra ouvir que a vida de trabalho-casa-academia; é a vida que tem, aprende a gostar dela e ver que tu não precisa ir pro Canadá pra reconhecer isso, e que tu não precisa tomar rivotril por isso. E, realmente é. A vida que temos é maravilhosa. Só o fato de viver, é grandioso. Trocar experiencias, conversar, se abrir com amigos, sorrir, ouvir a música preferida, é lindo demais. Hoje está em alta ser cool-moderno-formador-de-opinião, pra que? Formar opinião pra quem? Só pra todos verem que tu pensa? Não. Pensa em silêncio, pra ti mesmo, e faz alguma coisa pra mostrar que como pensar em ti, pode mudar tua vida. Tal qual a problemática do filme, que acaba feliz, e fazendo o outro feliz. Simples assim.